Talvez não fosse eu…

Há um tempo atrás eu descobri que quando eu era criança poderia ter sido criada por outra pessoa se minha mãe tivesse deixado. Uma descoberta dessas, a essa altura da minha vida, faz muita diferença pra uma pessoa.

Me senti muito estranha naquele momento, com toda a vida que não tive passando diante dos meus olhos. Eu poderia ter estudado em colégios particulares, provavelmente já teria terminado a faculdade e, muito possivelmente, não teria problemas com dinheiro. Iria a praia com frequência, até pra academia todos os dias de manhã, quem sabe.

Provavelmente seria boa aluna, mas baladeira o suficiente pra ter muitos “amigos” [imagine franjão e cabelo escovado]. Beberia pra caramba nos finais de semana, porque é coisa de família. E, dificilmente, teria essa nerdice que me faz ficar rindo de qualquer paródia do Star Wars, ou não, sei lá.

Só estou dizendo essas coisas todas pra vocês imaginarem como minha vida poderia ser diferente hoje [se é que alguém se importa]. Eu não estaria aqui escrevendo essas coisas e me lamentando de vez em quando pela vida de merda que eu penso ter. Ou poderia amar os livros e gostar de escrever pra outros lerem, mas não seria eu, entendem?

E, principalmente, não teria conhecido muitas pessoas que são importantes pra minha vida hoje, mesmo aquelas que não tem mais nada a ver comigo, que ferraram com minha vida… Elas ainda me ajudaram de alguma forma, nem que seja me ensinando que não devo confiar em algumas pessoas. Mas existem algumas que eu amo tanto! [e acho que pro resto da vida] Foi nesse momento que eu descobri que essa vida que eu tenho nem é tão ruim assim.

Que é bom levantar de manhã, embora eu deteste, ir parar num emprego público e me cansar durante o dia [embora eu quisesse poder somente estudar, quem sabe aquele curso de Escrita Criativa da Brenda?!]. Que, embora seja difícil não ter dinheiro pra comprar todas as coisas que eu quero, fúteis ou não, aprendi a economizar e fazer ‘N coisas pra ganhá-lo, me sentindo muito bem com essa grana sofrida no final.

Que é bom pra mim ficar horas no pc conversando com gente que mora longe demais pra abraçar [twins detected]. E, por mais estranho que pareça, acho divertido conversar no skype com meu namorado e os amigos dele, ouvir eles jogarem, enquanto ele está do meu lado no outro computador [e agora jogando video game, enquanto eu termino o post =)], porque meus namoros jamais serão convencionais…

7 Comentários

Filed under Opiniões

7 respostas a Talvez não fosse eu…

  1. Eu acho que a gente sempre quer mais, e isso é saudável… até certo ponto. (Eu também adoraria SÓ estudar, sem precisar dos meus três empregos – especialmente pra esse meu curso de Escrita Criativa.) O importante é sempre manter aquele equilíbrio e parar para reconhecer, como você fez, as pérolas que tornam a nossa existência tão peculiar.
    Beijinhos, flor!

  2. Nossa, uma história dessas é de pirar a cabeça de qualquer pessoa.

    Mas, se pararmos pra pensar, é o famoso efeito borboleta, né?? Vc não precisaria ter sido criada por outras pessoas para ser diferente para “não ser vc”.

    Se seus pais tivessem decidido comprar/alugar uma casa em outra rua. Vc teria outros vizinhos. Talvez estudasse em outra escola. Andaria com outra turma. Que te influenciaria de formas diferentes. Te apresentariam outros livros, outros filmes.

    Particurlamente, eu penso muito como seria minha vida se, simplesmente, eu não tivesse desistido do ballet quando tinha 5 anos de idade.

    Uma simples decisão. E que posso dizer com segurança: afetou 50% do resto da minha vida.

    Maldita borboleta!!!!!

  3. realmente faz diferença…

  4. Maria Eduarda

    Minha mãe também já me disse algo parecido uma vez, e eu tive a mesma reação que você… Primeiro imaginei tudo o que eu deixei de ter, principalmente luxos e grana extra, mas depois vi que a minha vida não era tão ruim e que tem pessoas que eu realmente amo (minha própria mãe, por exemplo), e que se eu não tivesse exatamente a vida que tive até hoje, poderia ter perdido, ou mesmo nem ter tido, todas essas coisinhas importantes… E elas me ajudaram a me “tornar” quem eu sou hoje, e eu gosto, sabe?! Quero evoluir sim, e me tornar uma pessoa melhor, mas não quero mudar meu passado, pois será o que vai me ajudar a fazer meu futuro… *-*

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