Resenha: O Caderno de Maya (Isabel Allende)

O_CADERNO_DE_MAYA_ISABEL_ALLENDETítulo: O Caderno de Maya
Autora: Isabel Allende
Editora: Bertrand Brasil
Publicação: 2011

Sinopse:

O Caderno de Maya, diferentemente dos tradicionais romances de Isabel Allende, é passado nos dias atuais. Apresenta a trama de uma garota americana de 19 anos que encontrou refúgio em uma ilha remota da costa do Chile, depois de cair em uma vida de drogas, crime e prostituição. Segundo a autora, a inspiração para escrever este livro veio do problema com drogas enfrentado pelos três filhos de seu marido. O mais velho enfrentou problemas com heroína durante anos, entrando e saindo de diversas clínicas de reabilitação. A filha do meio morreu de overdose, tendo até se prostituído. “O romance mais impressionante de Isabel Allende.” (La Nacion)

Para falar de O Caderno de Maya preciso começar antes de contar a história. É um daqueles livros que descobri não sei direito como, pesquisando no skoob ou algo similar. Baixei o pdf em espanhol mesmo, porque ainda não tinha sido lançado em português e um dia comecei a ler. Me encantei prontamente. Só que havia dois problemas: primeiro eu não sou fluente, embora considere o espanhol familiar e tenha conseguido ler bastante; segundo, nem sempre o pdf é uma boa opção, já que não possuo um e-reader. Deixei ele de lado, até que ano passado finalmente o comprei, deixando pra quando tivesse bastante tempo. Resolvi Lê-lo nas férias desse ano, em janeiro, sem saber se começava de novo ou pegava da parte que tinha parado. Fiquei surpresa ao descobrir que tinha lido quase a metade do livro em espanhol (confete pra mim, por favor, eu consegui ler meu primeiro livro em outra língua). Acabei continuando de onde tinha parado, já que ainda lembrava dos detalhes importantes. Agora deixe-me contar porque o livro é perfeito.

Raramente dou cinco estrelas para um livro, não porque eles não mereçam, porém sempre considero que possa aparecer algo melhor. Também não fico comparando muito um livro com outro, porque pode ser injusto. Quando um livro é bom, três. Quando ele é ótimo, quatro. Mas se o livro for perfeito, tenha me feito chorar, mudado uma parte da minha vida ou me feito aprender uma grande lição, aí com certeza cinco estrelas bem brilhantes para ele. Se não tiverem percebido até agora, é esse o caso. u.u

Em seu caderno, Maya conta como está sendo sua vida na remota ilhota de Chiloé, onde passou a viver com um amigo de sua avó, Manuel Arias, pesquisador e escritor. Ela está se escondendo de algo que você só vai descobrir lá bem no final do livro e isso é bem interessante, porque não tem como você largar o bendito! Maya vai escrevendo suas memórias, juntamente com o cotidiano vivido na ilha e suas impressões sobre os habitantes, não de uma forma confusa, mas como flashbacks muito intensos e dolorosos.

Sua vida já começou ruim, quando sua mãe foi embora e não a criou, seu pai que nunca tinha tempo pra ela e teve que ser criada pelos avós paternos. Uma avó chilena, matrona e impetuosa e seu marido, que não é seu avô de verdade, mas não faz diferença porque ela o ama mais que tudo nesse mundo. E a maior parte do que acontece com ela, atitudes que toma, boas ou más, são em função da relação que tem com seu “popo”.

No meio da confusão que Maya passa entre drogas, crime, prostituição, desespero, amor e fugas, Isabel Allende deu um jeito de inserir um pouco da história do Chile na época da ditadura militar. Para quem não sabe, e como também descobri, seu pai era primo de Salvador Allende, presidente socialista do Chile deposto por Augusto Pinochet em 1973. Aparentemente ela sempre dá um jeito de escrever sobre isso em seus livros. Foi o primeiro livro dela que li (seguido por Zorro, sobre o qual comentarei assim que puder) e me encheu de vontade de ler mais e mais e mais.

Porque Maya passou por dramas que poderiam ser meus ou seus e acontecem todos os dias sem que ninguém pare para prestar devida atenção. A dor que está em cada uma das palavras eu consegui sentir no meu coração, fazendo com que ansiasse desesperadamente por um final feliz depois de tanto tumulto. E, felizmente, ele existiu, cheio de surpresas, aliás.

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