As páginas dos livros

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E cá estou eu de novo, batendo na mesma tecla. O assunto LIVRO é tão recorrente na minha vida que possivelmente eu encho o saco da maioria das pessoas com quem converso. Cada um com seus vícios – algumas pessoas preferem roupas e sapatos, eu livros.

O fato é que quando você abre um livro (depois de cheirá-lo e acariciá-lo devidamente, é claro), é como se estivesse abrindo uma porta para um novo mundo. Um universo inteiro de possibilidades que vai expandindo a cada capítulo. Quem não tem o prazer de ler não faz a mínima ideia do que está perdendo.

Ah, as primeiras páginas dos livros. Aqueles instantes decisivos no qual se decide todo o futuro da leitura. Algumas frase iniciais já são em si tão impactantes que enchem o peito de expectativas para a nova jornada. Onde você começa a não simplesmente ler sobre pessoas inventadas, mas participar da vida desses novos conhecidos. E com o tempo eles tendem a se tornar praticamente da família, você chora por seus medos e tristezas, grita e ri descaradamente pelos momentos mais emocionantes. (Ao ponto de virem ver se está tudo bem com você… [minha mãe fazia isso] Por isso eu precisei parar de ler no trabalho, não havia como me entregar e dar todo comprometimento necessário.)

Em compensação, alguns livros começam tão arrastados que a gente nem sabe o que fazer com eles. Uma pena. Já houveram tantas ocasiões em que acabei deixando um livro de lado por não ter me chamado atenção suficiente. Não é justo com o pobre coitado. (Nem com o dinheiro gasto, diga-se de passagem) Graças a Deus existem opiniões diferentes, porque se você não gostou, lá do outro lado do mundo (ou nem tão longe assim) haverá alguém cujo coração foi completamente tomado por aquelas palavras.

Também existem aqueles livros de “humor ondulante” que te colocam numa balança, ora altamente feliz, ora decepcionado. Esses sim eu considero mais terríveis, pois fica difícil formar uma opinião a respeito. E geralmente acabamos decidindo só pelo final – se foi bom ou ruim, de acordo com as expectativas. O que de qualquer forma não é lá muito justo.

Não creio que se possa culpar sempre os autores pelos fiascos. Assim como em qualquer indústria – sim, sim, indústria – alguns livros são publicados pelas expectativas do mercado. Vai ver que o autor foi polido até ficar tão transparente que já não se pode tirar muitas coisas boas dele. E, repetindo, sempre tem alguém que vai gostar – amar, até – os livros que você detestou, porque a vida é assim.

Essas tais opiniões diferentes acabam gerando atritos desncessários entre fãs, sobre qual é a melhor série, o melhor autor. Qual a palavra americana pra isso, mesmo? Ah, sim, “bullshit”! Não vejo necessidade nenhuma de criar conflitos por tão pouca coisa, já tem guerra demais no mundo. O que as pessoas deveriam fazer é sair de sua zona de conforto e ler coisas novas, mesmo se arriscando a não gostar delas. A maioria que sai metendo o malho por aí nem sabe do que está falando. Cada autor teve sua própria maneira de contar uma história. Uma não precisa ser melhor que a outra e as pessoas precisam parar de ser tão estúpidas, pensando que vão ganhar algo lutando por uma causa tão ridícula! (Ok, ok, parei…)

Eu acredito que todas as histórias do mundo sempre estiveram e estarão lá, a espera de que alguém escolha contá-las. Ou que alguém tenha um sonho, uma revelação, um pensamento fora do comum que leva aos personagens e tudo mais, quase uma realidade paralela, psicografia, seja lá como se chama. Comigo costumava ser assim, quando eu sentia que sabia escrever. Na verdade é algo que sinto falta de fazer. Gostaria de um dia ter pelo menos meia dúzia de pessoas que dissessem “Nossa, gostei realmente desse livro, você tem que ler!” por algo que tenha vindo de mim. Quem sabe um dia desses.

Enquanto isso eu fico por aqui, entre as muitas páginas das histórias que eu já amo e tantas outras que estão por vir. Pronta pra compartilhar e espalhar esse amor a qualquer um que esteja disposto. Porque muitos dirão que são apenas letras impressas no papel, mas nós sabemos que é muito mais que isso.

Arte: Adriana Brenna Gonçalves
Arte: Adriana Brenna Gonçalves

2 thoughts on “As páginas dos livros

  1. Realmente, eu não gosto de me limitar a um único estilo literário, mas infelizmente tem uns que não rolam mesmo que é o caso de romances distópicos, eu já tentei viu…
    Adoro me entregar a leitura e por isso gosto mesmo de ler quando estou sozinha, me sinto mais próxima dos personagens!

    Ótimo Post!

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    • Obrigada!
      Pode ser que você prefira as distopias originais, com menos açúcar, como 1984 e Admirável Mundo Novo, ou quadrinhos como Watchmen e V de Vingança.

      Beijo!

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