Perdendo meu tempo a noite inteira

Eu possuo o grande defeito da procrastinação, ou seja, sempre deixo pra depois o que eu deveria fazer hoje. Pode até ser culpa minha, mas existem momentos em que tenho tanta coisa pra fazer que simplesmente não sei por onde começar. Geralmente nesses momentos eu uso uma tática infalível para o alívio do estresse: não faço nada, ou faço qualquer outra coisa não relacionada.

Passo mais tempo pensando em como farei determinadas coisas do que realmente fazendo. Como o blog, por exemplo, tenho tantas ideias na cabeça! Esse espaço já existe há algum tempo e nem sempre tem a atenção que merece porque estou cuidando de outros assuntos. Dedico boa parte do meu tempo a fazer aleatoriedades na Internet, sabendo que poderia ser mais produtiva que isso. Ou chego em casa, do trabalho, e fico assistindo filmes e séries quando bem que poderia estar lendo ou escrevendo, nem que fosse só pra mim.

O problema é que jamais desejei escrever por obrigação. A bem da verdade eu odeio esse negócio de precisar fazer qualquer coisa por obrigação. Infelizmente a vida é como é. Mas escrever é algo muito bom pra mim, não só porque coloco pra fora esses meus sentimentos conflitantes e minhas opiniões nem sempre usuais. Quando eu escrevo me sinto tão viva! É como se realmente estivesse fazendo algo que preste com a porcaria da minha vida, que nem sempre é lá essa perfeição toda. Entende? Não dá pra pegar algo que você gosta tanto assim de fazer e transformar num ato mecânico, só pra demonstrar produção. Isso não é criatividade, é hipocrisia, é reproduzir o comportamento de “linha de montagem” que eu vejo por aí.

Sou muito crítica com o meu próprio texto, mesmo sabendo que obviamente não agradarei a todos me sinto no dever de não publicar qualquer porcaria que nem eu mesma gastaria tempo em ler. Nas épocas em que estou pra baixo acabo deixando o blog num hiato terrível. Não é o ideal, mas sinto que deve haver uma razão pra isso, mesmo que eu ainda não tenha descoberto.

Ao mesmo tempo fui me dando conta de que várias ocasiões eu parava pra escrever e descrever situações sem que as estivesse vivendo de fato. Isso também não é produtivo, não quero ficar pressa na “matriz” vendo fotos de florestas, animais, pessoas e o pôr-do-sol quando poderia vivenciar isso do lado de fora, em 3D! Não é absurdo como existem pessoas que não se dão conta disso?!

Existe, sim, vida inteligente off-line, se você souber procurar por ela. Está naquele livro que ainda não leu, nas viagens que ainda não fez, nos pratos que ainda não comeu, na companhia que ainda não aprendeu a desfrutar. Passei tanto tempo querendo que minha vida cibernética fosse bem sucedida, partindo do pressuposto de que realmente não tinha outra, que quase me esqueci disso tudo.

Tenho a impressão de que hoje sou capaz de pelo menos tentar dividir meu tempo a fim de fazer tudo que preciso/tenho vontade. Mas existirão momentos em que vou só passar meu final de semana mais tempo na cama porque a semana foi um porre. Rever pela enézima vez aquele episódio da série que eu gosto tanto. Largar meu texto de lado – assim que acabar a frase – e sair pra comer uma pizza à noite com meus amigos. Ou só dar umas agarradas no Pedro e conversar, mesmo sabendo que “conversar não dá XP”. 🙂

Arte: Adriana Brenna Gonçalves
Arte: Adriana Brenna Gonçalves
Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s