“NÃO GRITA COMIGO QUE EU SOU SUA MÃE!”

Meu avô costumava dizer que “de dia não se avisa e de noite uma vez só”. Basicamente isso em si já era um aviso de que ele exigia respeito, de preferência sem questionamento. Minha mãe cansou de me mandar “piar baixo” e coisas do gênero, levei alguns beliscões doloridos e até algumas surras, nada grave, ficava mesmo era de castigo. O fato é que eu levei alguns pitos na vida e ainda estou aqui.

Eu fico imaginando se algum dia o Conselho Tutelar vai mandar me prender porque o meu bacuri me fez perder a paciência e acabou levando uns bofetes “pra ficar mais esperto”. Não estou planejando antecipadamente as surras bem dadas que vou dar nas crias, veja bem. É que eu acho complicado esses negócio de ficar jurando que nunca vai acontecer, que não é coisa que se faça.

Fui criada sabendo que quando minha mãe dizia alguma coisa, ai de mim se fizesse o contrário! (E a gente ainda briga por causa disso) Mas eu sabia que havia um motivo. No caso do meu avô e dos meus tios era a mesma coisa. Existia um laço de respeito atrelado à confiança que hoje em dia eu quase não vejo mais em criança nenhuma.

A verdade pe que não sei direito qual é a maneira certíssima de educar uma criança, vai ver é até porque não existe ainda uma pra cuidar. Mas com certeza não é fazendo todas as vontades só pra que ela cale a boca, ou então enchendo de presentes para compensar a falta de tempo pra brincar com ela. É bem provável que eu deixe algumas (ou várias) vezes de castigo. Obrigue a ficar sentada até terminar a comida toda, só de raiva, porque a criança me desafiou. E se me fizer passar vergonha gritando igual a um animalzinho na frente de todo mundo, aí eu nem sei o que eu sou capaz de fazer.

Discordo de muitas coisas em relação a minha criação porque eu sei o quanto foi ruim ter ouvido tanto “Não”. Minha mãe me prendeu em casa muito tempo e imagino que isso tenha prejudicado meu desenvolvimento na hora de resolver problemas sozinha, apanhei um pouco pra aprender e ainda estou no caminho. Mas se tem uma coisa que eu concordo é que crianças precisam de disciplina. Acabo chegando à conclusão de que é provável eu cometer alguns dos erros que ela cometeu, tentando fazer o melhor que puder. Eu sei que receber um “Não” também faz bem. Imagina se a pessoa chegar lá na frente da sua vida e descobrir que nada é tão fácil como a fizeram acreditar durante anos?

Agora, o que eu sei que jamais quero fazer é mentir pros meus filhos (se Deus quiser que eu os tenha). Não pretendo fazer promessas que não possa cumprir. Iludir com falsas esperanças, esconder coisas importantes pra depois sofrer junto pela dor que eu causei, mais ainda do que o remorso que eu vou sentir. O que eu poderia passar de melhor pros meus filhos (e mesmo sobrinhos, por extensão) é a confiança.

Mas o que é que eu sei sobre o futuro? A gente nunca sabe ao certo o que vai ser quando se diz respeito aos filhotes.

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