Mamãe&Bebê » O Parto Natural

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Foto: Amanda Ferreira (Blog Mandy Francesa)

Eu contei a história do nascimento do meu filho umas 200 vezes desde que ele nasceu, há 8 meses atrás. A versão vai ficando mais curta conforme o tempo vai passando, mas nunca deixa de ser emocionante. Por isso vou tentar ser breve, porém não garanto que vá conseguir.

Primeiro gostaria de explicar a minha escolha pelo parto natural (que as pessoas andam chamando de parto vaginal, mas eu acho muito estranho isso.). EU escolhi ter o meu bebê dessa forma, não foi meu marido, não foram as mulheres que convivem comigo, não foi a mídia. Ao contrário da maioria das mulheres que eu conheço que morrem de medo da dor do parto, eu me cago de medo é da operação e do pós-operatório. Eu disse a todo mundo que era simplesmente mais fácil usar o buraco que já existe mesmo e pronto, aposto que várias pessoas ficaram ofendidas com isso. Foda-se!🙂 E no final eu resolvi ter parto normal pelo desaforo mesmo devido a quantidade de gente que achava que eu não ia conseguir. Eu queria muito poder estar de pé e cuidar eu mesma do meu filho o mais rápido possível.

Não acho que alguém seja menos mãe quando escolhe a cesária, assim como não é menos mãe aquela que adota. Simplesmente sou da opinião de que a nossa sociedade se voltou para a cesária de uma forma que hoje em dia a maioria das mulheres mal cogitam a possibilidade de ter o bebê através do parto natural. Existe uma cultura do medo da dor, que está ao poucos diminuindo através de volta do parto em casa, com as doulas e a recente lei que tenta evitara cesária, a não ser em casos de emergência.

Pois bem, vamos ao dia do parto propriamente dito.

Eu comecei a sentir dores no dia 14/12/15, pela manhã, como uma cólica. Era até pra eu ter ido ao obstetra nesse dia, mas não estava me sentindo bem para viajar e cancelei. Faltavam 3 dias para completar as tais 40 semanas, onde o parto é considerado ideal. Foi um dia de cólica normal, como se eu estivesse menstruada, estou acostumada a cólicas fortes e não me assustei de verdade. A vizinha ficou achando que eu estava calma demais, e eu pensando Melhor guardar o desespero pra depois. Conforme o dia passou as dores continuaram eu pedi pro meu marido voltar mais cedo do trabalho porque aparentemente estava na hora. Ele voltou todo esbaforido, coitado. Uma coisa importante: as bolsas precisam estar arrumadas com antecedência porque você nunca sabe quando o bebê vai querer vir de verdade.

Resolvi que era melhor ir antes ao hospital local, pra saber a quantas andava o moleque, se ia demorar. Foi aí que começou o estresse. Eles não queriam deixar o Pedro entrar porque era uma enfermaria feminina e minha irmã não podia me acompanhar porque era menor. Eu plantei o pé no corredor e disse que não ia entrar sem meu marido de jeito nenhum! Eu tenho essa criança no corredor, mas não entro sem ele!!! Quando eles viram que eu ia fazer escândalo, decidiram deixar ele entrar. O que não adiantou muito, já que a porra do médico achou de fechar a porta ao fazer o exame de toque (devidamente acompanhado de uma enfermeira, ainda bem). Como se o meu marido já não tivesse visto tudo o que tinha pra ver.

–  Você está em trabalho de parto. – disse o médico idiota sem nem olhar na minha cara.
–  Dá pra chegar em Macaé?
– Dá.
– Então eu vou pra Macaé. Dá licença.

E lá fui eu pra casa, arrumar uma carona com a Rosely pra chegar a Macaé, por causa do plano de saúde. Foi uma viagem com pequenas contrações ao som de Michael Jackson e Queen, apenas. hahaha. Eu li que algumas pessoas não gostam do atendimento dos hospitais da UNIMED, mas eu não tenho do que reclamar. Tinha gente na fila, mas eu rapidamente fui atendida na triagem, onde mediram minha pressão, me colocaram numa cadeira de rodas e fiquei acompanhada de um enfermeiro esperando o médico. Enquanto isso eu tinha 6 pessoas na sala de espera me olhando, esperando eu começar a gritar sei lá. Eu queria mesmo era ficar andando pra lá e pra cá pra acelerar a coisa toda, mas acabei ficando sentada. Depois te atendida, como faltasse muito tempo ainda, fui encaminhada à sala de observação.

Às 21h eu entrei em trabalho de parto de verdade, foram cerca de 10 horas. Uma madrugada complicadíssima pra mim, sentindo dor e tentando não fazer barulho porque tinha duas mulheres que haviam sido transferidas, em péssimo estado, para a mesma sala que eu, e um cara gritando na ala masculina. Doeu? Muita coisa. Nossa, você não devia contar isso assim, as grávidas vão ficar com medo do parto. Só porque eu senti dor não quer dizer que outra mulher vai sentir dor. Pode durar mais ou menos tempo, ser mais ou menos doloroso, não importa. Eu disse ao Pedro, durante a gravidez, que provavelmente eu ficaria louca de dor e ia pedir pra desistir, nesse caso era pra ele me ignorar a não ser que houvesse alguma coisa errada com a gente. Tem certeza, amor? Tenho.

Pois é, eu não tenho muita resistência a dor e mesmo assim aguentei, porque ele estava do meu lado. Não sei se teria conseguido passar por aquela noite sem ele fazendo massagem nas minhas costas (porque é onde bate a dor, eu sempre achei que seria na barriga). Sendo xingado porque não estava fazendo as coisas direito (eu juro que pedi desculpas depois). Sem dormir há mais de 24h, esvaziando comadre de xixi, me dando banho. Eu não gostaria de mais ninguém do meu lado aquela noite, nem em um milhão de anos. Ter a pessoa que você ama do seu lado, informada sobre as coisas que podem acontecer, com medo mas sem demonstrar, tentando fazer todo o possível… Vou chorar, gente.❤ A única coisa que eu me arrependo e pretendo lembrar disso da próxima vez é de andar. Andar pra lá e pra cá e me pendurar em alguma coisa pra acelerar o processo. Depois que eu fui tomar banho e tive algumas contrações em pé, senti que o meu filho estava mais encaixado na posição certa, só que eu estava com medo e cansada demais pra tentar.

Na manhã do dia 15, eu finalmente fui pra sala de parto. Nessa hora eu fui obrigada a me separar do Pedro porque íamos nos preparar em salas diferentes. Fiquei presa com umas 3 enfermeiras babacas que achavam que eu não estava ouvindo o que elas estavam dizendo de mim. “Se o marido dela queria ter filho normal, ele que tivesse, então.” A mais velha dizendo que eu tinha que fazer força, sendo que eu tinha combinado com o médico que ia tomar anestesia. Foi péssimo. Detesto mulher que não sabe ser compreensiva com outra mulher. Quando o Dr. Bernardo chegou eu reclamei e ele disse que era pra ignorar porque elas estavam em final de plantão.

Agora vamos a parte engraçada.

Meu parto foi acompanhado por 4 homens: O Pedro, o Dr. Bernardo, o anestesista Rafael e enfermeiro Mário – sim, eu lembro, só não sei os sobrenomes. Eu nunca tinha tomado anestesia. Na verdade eu tomei duas, né, uma na pele antes, pra não sentir a outra na coluna. Cheguei a dizer ao médico que tinha medo de alguma reação alérgica, mas eu fiquei mesmo foi doidona. Puxei assunto com eles, como sempre faço quando fico nervosa. Achei que conhecia o enfermeiro e os carai.  Quando o Pedro chegou na sala eu olhei pra ele e disse “Mô, olha quanto homi liiindo!”. O médico arregalou os olhos e saiu dizendo que era tudo gay, porque o senhor meu marido tem quase 2m de altura e as pessoas tem essa tendência a ter medo dele. Os olhos do Dr. Bernardo são fantásticos e apaixonantes mesmo, fazer o quê. Ainda bem que eu lembro disso. E ainda bem que o Pedro tá pouco se fodendo pra isso.

Não sei de verdade quanto tempo demorou, uns 40 minutos, talvez, só que pareceu bem mais. Me lembro do médico ter olhado pra mim, naquela posição esdrúxula e dizer que nem ia demorar tanto assim, que já podia pedir para o pediatra se preparar. Daí teve o Pedro do meu lado me dizendo pra fazer não sei o que e eu mandando ele calar a boca. O médico tentando soltar minha mão da maca e eu cansadíssima e com medo de não ter forças. Achei que não ia sentir nada, mas teve uma hora que eu senti uma coisa estranha.

– Eu tô sentindo uma dor lá embaixo.
– Ah, é cabeça que tá passando pelo osso da bacia.
– O quê?????

Foi nessa hora que eu dei O GRITO. O Pedro diz que quase morreu do coração. Gritei até o ar acabar. E foi empurrando assim mais algumas vezes que eu meu filho nasceu, lindo, com 51cm e 3,570 kg. O médico colocou ele em cima de mim e eu fiquei olhando aquela coisinha no meu peito. Não vai chorar, não? Ai, meodeos, ele não tá chorando! Aí ele gritou o Unhé mais rouco que eu já ouvi de um bebê na minha vida. Levaram ele, junto com o Pedro, eu morrendo de medo de trocarem meu filho por outro. Mas deu tudo certo.

Enquanto isso Dr. Bernardo ficou comigo, costurando minhas partes.

– Pera aí, você tá cutucando tudo aí e a gente mal se conhece. rs
– Eu tô passando mais tempo com você hoje do que passo com a minha namorada a semana inteira.
– Vai voltar ao tamanho normal?
– Vai sim.
– Quantos ponto você está dando aí?
– Ah, não sei não.

Dr. Bernardo.❤ Tenho que achar esse homem pra fazer meu parto quando eu tiver meu próximo filho.

Depois ele saiu, e eu fiquei lá toda aberta com o enfermeiro me limpando, vergonhoso. A gente conversou um pouco e ele foi super simpático, considerando que eu não calo a boca. Mas ele disse que prefere assim, que aí dá pra conversar. Daí ele me deixou numa sala, onde eu fiquei um tempo deitada vendo as pessoas passarem, me deu uma injeção pra eu parar de sangrar. E eu doida num copo d’água, porque eu tinha tomado só uns golinhos durante o parto.

Quando eles me transferiram pro quarto acho que ainda demorou umas duas horas pro Erick chegar. O Alexandre, médico, marido da Amanda e um amor de pessoa foi lá catar meu filho pra mim e ele chegou logo. Eu tinha tomado banho (e quase desmaiado pela pressão baixa, não façam isso) e estava doida pra abraçar meu filho direito. Foi nessa hora que a Amanda tirou as fotos.

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Passei 2 dias padrão com ele em observação, eu comendo qualquer coisa porque parto normal não tem restrição de dieta, bjs. E aí viemos pra casa, pra vida nova.

4 thoughts on “Mamãe&Bebê » O Parto Natural

  1. Eu amei o relato do seu parto! De certa forma, ajudou a preencher as lacunas, já que não pude estar aí com você.
    Eu confesso que tenho bastante medo do parto (normal ou cesariana), mas como ser mãe sempre foi um sonho, vou tentar passar por isso da melhor forma possível (de preferência com ajuda de muita yoga e calmantes). Mas hoje em dia penso que só quero filhos a partir dos 30. Ainda tem algumas coisas que quero fazer antes disso!
    Eu amo muito essas fotos de vocês! ❤️

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